Um Para Dois
sábado, 9 de junho de 2012
O Homem; As Viagens
Hoje não escreverei nada que seja meu, mas que meu se torna por ser expressão dessa jornada comum a quase todos os homens da terra.
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O homem, bicho da terra tão pequeno
Chateia-se na terra
Lugar de muita miséria e pouca diversão,
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
Toca para a lua
Desce cauteloso na lua
Pisa na lua
Planta bandeirola na lua
Experimenta a lua
Coloniza a lua
Civiliza a lua
Humaniza a lua.
Lua humanizada: tão igual à terra.
O homem chateia-se na lua.
Vamos para marte - ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em marte
Pisa em marte
Experimenta
Coloniza
Civiliza
Humaniza marte com engenho e arte.
Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro - diz o engenho
Sofisticado e dócil.
Vamos a vênus.
O homem põe o pé em vênus,
Vê o visto - é isto?
Idem
Idem
Idem.
O homem funde a cuca se não for a júpiter
Proclamar justiça junto com injustiça
Repetir a fossa
Repetir o inquieto
Repetitório.
Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira terra-a-terra.
O homem chega ao sol ou dá uma volta
Só para tever?
Não-vê que ele inventa
Roupa insiderável de viver no sol.
Põe o pé e:
Mas que chato é o sol, falso touro
Espanhol domado.
Restam outros sistemas fora
Do solar a col-
Onizar.
Ao acabarem todos
Só resta ao homem
(estará equipado?)
A dificílima dangerosíssima viagem
De si a si mesmo:
Pôr o pé no chão
Do seu coração
Experimentar
Colonizar
Civilizar
Humanizar
O homem
Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
A perene, insuspeitada alegria
De con-viver.
Chateia-se na terra
Lugar de muita miséria e pouca diversão,
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
Toca para a lua
Desce cauteloso na lua
Pisa na lua
Planta bandeirola na lua
Experimenta a lua
Coloniza a lua
Civiliza a lua
Humaniza a lua.
Lua humanizada: tão igual à terra.
O homem chateia-se na lua.
Vamos para marte - ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em marte
Pisa em marte
Experimenta
Coloniza
Civiliza
Humaniza marte com engenho e arte.
Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro - diz o engenho
Sofisticado e dócil.
Vamos a vênus.
O homem põe o pé em vênus,
Vê o visto - é isto?
Idem
Idem
Idem.
O homem funde a cuca se não for a júpiter
Proclamar justiça junto com injustiça
Repetir a fossa
Repetir o inquieto
Repetitório.
Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira terra-a-terra.
O homem chega ao sol ou dá uma volta
Só para tever?
Não-vê que ele inventa
Roupa insiderável de viver no sol.
Põe o pé e:
Mas que chato é o sol, falso touro
Espanhol domado.
Restam outros sistemas fora
Do solar a col-
Onizar.
Ao acabarem todos
Só resta ao homem
(estará equipado?)
A dificílima dangerosíssima viagem
De si a si mesmo:
Pôr o pé no chão
Do seu coração
Experimentar
Colonizar
Civilizar
Humanizar
O homem
Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
A perene, insuspeitada alegria
De con-viver.
Carlos Drummond de Andrade
terça-feira, 22 de maio de 2012
Desespero Neural
Nesta madrugada reduzo
Conseqüências da não leitura
Entrelaçando meus olhos entre
Patogenias
Etiologias
Dislipidemias
Degenerações mucóides
Esteatoses
Apoptoses
Entre um intervalo e outro ingiro
lactose
Glicose
Novamente pupilas fitam
Necroses
Plaquetopenia
Endogenias
Midríase de agonia!
Assim os neurônios seguem
Cochichando entre si
Na tentativa de regar o que li
Vocifero a consciência
Num ultimo suspiro
Antes do sono tranqüilo
Pois amanhã será mais um dia
Deste corpo em distonia
Provar o que aprendi
Conseqüências da não leitura
Entrelaçando meus olhos entre
Patogenias
Etiologias
Dislipidemias
Degenerações mucóides
Esteatoses
Apoptoses
Entre um intervalo e outro ingiro
lactose
Glicose
Novamente pupilas fitam
Necroses
Plaquetopenia
Endogenias
Midríase de agonia!
Assim os neurônios seguem
Cochichando entre si
Na tentativa de regar o que li
Vocifero a consciência
Num ultimo suspiro
Antes do sono tranqüilo
Pois amanhã será mais um dia
Deste corpo em distonia
Provar o que aprendi
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Rodopiu
Eu semeio o tempo
Rego as tempestades
Colho minha sorte
de toda maldade
Rodopiu a saia
Corto como navalha
O maldizer do homem vil
Tudo no toque
Molejo do quadril
Rego as tempestades
Colho minha sorte
de toda maldade
Rodopiu a saia
Corto como navalha
O maldizer do homem vil
Tudo no toque
Molejo do quadril
Tango

Dança de dois
Sonho de um
Dança dos sós
Parceiros alguns
Danço com ele
Ele com ela
Danças são sonhos
Paisagens
Palcos, estreias
Se um passo
Descalço de amor
Encontra outro passo
Compasso
Vestido de dor
A dança de dois
Vira Sonho de um
Dança dos sós
Parceiros alguns
Os passes dos pares
Precisam de amor
Dois passos
Quatro compassos
Precisos de dor
A dança de dois
Vira sonho de um
Tango dos sóis
Parceiro, mais um?
Por: Simone Cabral
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